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O problema dos programas de aprendizagem ruins

janeiro 16, 2019

A dissociação ou associação com o lado pessoal – profissional dos aprendizes

 

Professor leciona para em adolescentes, em Moema.

Os programas de aprendizagem que oferecem cursos para jovens interessados em ingressar num supermercado, busca em suas diretrizes acalentar as duas preocupações do cliente supermercadista: disciplina e rendimento. Quando o jovem chega na instituição de ensino, traz consigo as suas experiências que, a depender do caso, pode se tornar um teste para o programa.

Isso porque a educação doméstica do jovem terá muito peso na sua conduta disciplinar diante das regras do trabalho. O que exige maior atenção dos educadores em prepará-lo para trabalhar.

Um programa ineficiente pode apresentar muita dificuldade nesse preparo devido à falta de atenção ao lado pessoal do jovem aprendiz, o que desencadeia uma série de fatores que, não sendo bem trabalhadas, pode virar um verdadeiro problema para o supermercadista.

Dentro dessa pauta, o professor do Instituto Brasileiro de Aprendizagem Profissional (IBRASA), Matheus Ramon, concedeu uma entrevista explicando alguns dos fatores que levam um programa a ser ineficiente e o que é preciso para obter excelência na formação do aprendiz.

Segue a entrevista na íntegra:

 

Sendo o IBRASA um programa de aprendizagem especificamente do setor supermercadista, imagino que o instituto deva ter conhecimento dos problemas/custos que um programa ruim pode acarretar ao cliente.  Dado isso, quais os custos que um programa de aprendizagem sem preparo pode acarretar ao supermercadista?

Matheus Ramon: Acredito que o maior deles, além dos danos internos quanto a mercadorias, são custos externos. Quando me refiro a isso, digo principalmente sobre o mau atendimento e perda de clientes. Por isso julgo importante atrelar o conhecimento técnico ao humanizado.

 

Se percebe muito disso em supermercados, tanto que leva a alta rotatividade que é uma característica presente no setor. Mas qual o grau de participação do programa em relação a essa conduta? Muito vem do próprio colaborador, de sua educação básica, então, como diferir problemas que estão relacionados a educação básica do jovem e o conhecimento que ele adquiriu no curso?

O grau pode ser elevado e satisfatório, porém limitado. No Ciclo I os jovens mostram-se mais dispostos a aprender, ouvir e validar as diretrizes do professor. No Ciclo II a conduta costuma mudar e a limitação torna-se maior não só pela resistência que os aprendizes passam a apresentar, como também pelo tempo reduzido. Como mudar uma cultura doméstica equivocada, ou até mesmo os direcionamentos equivocados de alguns colaboradores dos supermercados, quando dispomos de um dia por semana? Quanto a diferenciação dos problemas, acredito ser o ponto mais difícil. Acredito que os problemas da educação básica são reconhecidos quando o aprendiz se auto impõe limitações inexistentes. Do tipo, “eu adquiri conhecimentos técnicos no curso, mas sou incapaz de colocá-los em prática.”

 

“Como mudar uma cultura doméstica equivocada, ou até mesmo os direcionamentos equivocados de alguns colaboradores dos supermercados, quando dispomos de um dia por semana?” O que seria o ideal?

O ideal seria um total acompanhamento dos jovens por parte da equipe encarregada do treinamento. Conseguimos isto se nos dispormos a buscar detalhes no departamento de orientação profissional. Mudar uma cultura doméstica é muito mais difícil e é o que vai diferir um bom programa. A maior parte dos resultados do projeto só serão sentidos a longo prazo. Os aprendizes tornam-se mais conscientes conforme atingem maior grau de maturidade. Claro, alguns já dispõe desse critério, e conseguem demonstrar desenvolvimento satisfatório a curto prazo.

 

Como um programa de aprendizagem deve se preparar pra trabalhar isso?

Ampliação de possibilidades. E isto demandaria novos colaboradores, sistemas próprios, e praticamente um novo departamento. Qual objetivo? Acompanhar cada aprendiz até mesmo em seu desempenho escolar, buscando dar suporte não apenas profissional, como também pessoal e acadêmico.

 

Você diz ser importante atrelar o conhecimento técnico ao humanizado. Mas acredita que o supermercado é um setor de trabalho “humanizado”?

Há, claro, alguns casos em que há esta preocupação. Porém, a maioria preza somente pela eficiência técnica/braçal dos jovens. Estimando mais agilidade e ausência de critérios do aprendiz do que a sua absorção de algum conhecimento notável.

 

O Ibrasa tem essa preocupação atualmente?

Sim, com certeza. Porém, temos nossas limitações financeiras, logísticas e etc. Beira a utopia. Mas, sem dúvidas, atualmente somos (IBRASA) o que mais se aproxima disto.

 

Qual o nível de participação que um programa de aprendizagem possui para avaliar o desempenho do aprendiz, quando este não está apresentando o devido retorno?

Em nossa realidade, creio que total. O trabalho desempenhado pela orientação profissional se encarrega destes obstáculos, redirecionando o aprendiz e buscando compreendê-lo.

 

Geralmente o jovem nesses cursos recebem bastante conteúdo teórico. Mas como é trabalhado para que eles consigam reter essas informações e zelar pelo programa em que estuda?

Trabalhando por associação. A equipe de ensino preza ao máximo para que o jovem consiga relacionar o tema abordado em sala com questões profissionais ou até mesmo pessoais, através de dinâmicas e empenho em grupo.

 

E em relação ao conhecimento prático?

Acentuando as razões. Cada professor faz seu melhor com os recursos disponíveis.

 

Trabalhar com jovens dentro das leis trabalhistas para menor de idade, acaba por filtrar ainda mais o retorno esperado dos supermercadistas em relação ao serviço dos programas. Então, como garantir que o programa trará retornos positivos e ter o reconhecimento de um bom custo-benefício?

Valorizando a aprendizagem e demonstrando efeitos palpáveis, e que sejam vantajosos em relação ao custo-benefício de nossos parceiros.

 

Dessa relação de perguntas e respostas, então, pra você, o que torna um programa de aprendizagem “bom” e o que torna um programa de aprendizagem “ruim”?

Sua dissociação ou associação com os parâmetros pessoais/profissionais de seus aprendizes. Um programa de aprendizagem quando busca entender ambos os lados do colaborador, consegue reconhecer suas dificuldades e limitações, afim de salientá-lo na busca pelo seu crescimento profissional – que vai melhorar o serviço do supermercado – e pessoal, pois o jovem se sentirá satisfeito em prestar o serviço a qual foi preparado.  

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